COMUNICAÇÃO SOCIAL
Mais que um local uma identidade
Durante tantos anos ignorados, os velhinhos mercados, voltaram a andar nas bocas do mundo.
Pelos piores motivos mas a verdade é que voltaram a ser falados. Se porventura os mercados fossem seres com consciência certamente que a esta hora estariam pasmados e até perplexos com a atenção que lhes têm sido dados. Mas o que eles estariam certamento era ofendidos, porque aqueles que nos últimos anos mais os usaram, nomeadamente para fazerm acções de propaganda e que nos 4 anos seguintes os vetavam ao abandono, são aqueoles que agora se lembram deles.
Quem é que nunca assistiu a uma distribuição de propaganda política num qualquer mercado? Normalmente por aqueles que depois tendo responsabilidades governativas, locais ou nacionais, se esqueciam desse polo de comercio, mas também de cultura popular e de confraternização.
Estará o leitor agora a pensar “mas quem é este?” que sendo político, com responsabilidades locais fala assim dos políticos e por maioria de razão dele próprio. E pensa bem. Porque tal como em tudo na vida há as excepções que confirmam a regra. Pensará o leitor agora que “presunção e água benta cada um toma a que quer”. Mais uma vez com razão. No entanto a verdade é que há quem nos últimos 8 anos tem defendido essa entidade chamada mercados. Não vou aqui gastar mais caracteres com mercados que por incúria, má fé ou desleixo foram deixados ao abandono e que após sucessivos avisos acabaram mesmo encerrados por essa outra entidade culturalmente cega e prepotente chamada ASAE. Vou-me antes focar naqueles que ainda funcionam (e este ainda não é de somenos importância) e especialmente no de Corroios. O Mercado de Corroios é uma entidade que não existe neste momento. É um local sem vida, sem movimento e sem graça. Mas nem sempre foi assim. Os mercados sempre foram, por definição, o espaço de convívio mais até que espaços de negócio. Era onde se sabia o que se passava na nossa terra. Era onde se encontrava aquele conhecido ou amigo para o café ou “mata-bicho” da manhã. Era o local onde se discutia tanto o futebol do dia anterior como a política em geral. Onde se contavam anedotas e se discutia o programa do Herman que tinha dado na RTP 1 na noite anterior. Eram espaços de cultura popular acima de tudo. Hoje não passam de edíficios velhos onde muitas vezes de tão degradados que nem as memórias conservam.
Mas não precisava de ser assim. Um mercado hoje faz tanto sentido como fazia há 10 ou 15 anos, mesmo com a proliferação das grandes superfícies. Em Corroios por exemplo. Com uma localização previligiada, no centro da vila, junto a uma escola e com acessibilidade de transportes públicos a meia dúzia de metros poderia, se houvesse vontade política para isso criar-se uma “nova”(ou recuperar a “velha”) centralidade urbana. Poderia dinamizar-se ali uma grande superfície de pequenos comerciantes. O “Hipermercado dos frescos”. Mas podia fazer-se mais. Rentabilizar-se o espaço para actividades culturais e de lazer. Podia rentabilizar-se o subsolo para estacionamento, coisa tão complicada em Corroios. Podia enfim dar vida e recriar o que de bom havia no antigamente não tão passado assim.
Sou dos que fala dos Mercados com o à vontade de quem não gosta particularmente de lá desenvolver actividades de campanha política e com a consciência tranquila de ter defendido esta causa em 2001 quando fui candidato à JF de Corroios, em 2005 quendo concorri pelo BE à CM Seixal e agora em 2009 ano em que fui eleito par a Asembleia de Freguesia de Corroios. Ainda há poucos meses, aquando da discussão das grandes opções do plano da freguesia falei na questão dos mercados infelizmente, mais uma vez, para que ninguém escutasse.
Veremos quanto mais tempo aguenta o mercado de Corroios antes que venha a morte anunciada e provocada por aqueles que até hoje tudo fizeram para os destruir, e com essa morte desapareça mais um pouco da nossa identidade.
Daniel Arruda
Dirigente Concelhio e Nacional do BE
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