COMUNICAÇÃO SOCIAL


Campanha Invisível

Se a democracia estivesse de perfeita saúde, dinamizando a participação dos cidadãos e cidadãs, preocupada com a informação e esclarecimento dos cidadãos acerca das diversas propostas sobre as questões europeias, a sociedade portuguesa estaria ao mesmo tempo que discute a situação do país, a debater a situação da Europa e o futuro da construção europeia.
No dia 7 de Junho, vamos ter eleições para o Parlamento Europeu, mas se a campanha continuar invisível, será muito difícil convencer os cidadãos a votar.
O debate político na nossa sociedade é muito pobre, desinteressante, os cabeças de lista às europeias do PS e do PSD passam o tempo a polemizar se as questões nacionais devem ou não ser chamadas ao debate. Como se fosse possível separar as duas coisas.
De uma forma geral, a comunicação social ajuda à festa da desmobilização dos cidadãos, porque a sua preocupação com o debate necessário das eleições europeias é perfeitamente secundário.
A principal culpa do desinteresse dos cidadãos, recai no modelo de construção europeia seguido ao longo dos anos, que nunca valorizou nem promoveu uma ampla participação das pessoas no respectivo processo. Os tecnocratas de Bruxelas e os governos do PS e do PSD decidiram pelo povo. Recusaram sempre dar a palavra ao povo através do referendo.
O PS e o PSD são os principais responsáveis, pela implementação do modelo, construído à revelia dos cidadãos.
Por incrível que pareça, muita gente continua a pensar que estas questões da Europa têm pouco a ver com nossa vida do dia a dia. Mas o nosso quotidiano é hoje inseparável do que se decide nas instâncias comunitárias e no Parlamento Europeu.
A União Europeia terá importância e utilidade para as pessoas, quando promover uma Europa solidária, que acuda a quem mais precisa; quando encerrar os paraísos fiscais; quando impuser taxas sobre as grandes fortunas; quando for implacável com a evasão fiscal; quando reduzir as despesas militares; quando proteger os trabalhadores da ganância de banqueiros, especuladores e patrões, exactamente o contrário da situação que vivemos, em que quem está a pagar a crise é quem perde o emprego.
O Bloco de Esquerda apresenta 10 propostas anti-crise, que podem circular livremente na União Europeia:
1- Proibição de despedimentos colectivos nas empresas com lucros.
2-Impedir o pagamento de dividendos aos accionistas de empresas que receberam subsídios ou benefícios públicos.
3- Direito à reforma aos 40 anos de trabalho, sem penalizações.
4- Aumento das pensões e do salário mínimo (para chegar aos 600 euros em 2 anos).
5- Subsídio para todos os desempregados.
6- Imposto sobre as grandes fortunas para financiar a segurança social.
7- Encerramento de todos os off-shores.
8- Nacionalização do sector energético, GALP e EDP.
9- Predomínio do sector público na banca.
10- Reduzir o horário de trabalho para as 35 horas semanais.
Algumas são aplicáveis a qualquer país, outras só a nós dizem respeito.
Estou convencido que todos os cidadãos e cidadãs europeus ambicionam politicas sociais que promovam e ampliem a qualidade de vida.
Vivemos um tempo que não se compagina com a indiferença. É preciso dizer sim ou não. Ou cada um decide por si, ou outros se encarregarão de decidir por quem ficou pelo “talvez”.

21 de Maio de 2009
Vítor Cavalinhos
Coordenadora do BE Seixal

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