COMUNICAÇÃO SOCIAL


VIVA O 25 DE ABRIL!

Preparamo-nos para comemorar o 35º aniversário do 25 de Abril. De novo se ouvirão opiniões requentadas, de que as comemorações não passam de um ritual com pouco sentido, porque a democracia já está consolidada. Até já tentaram tirar o “r” de Revolução, porque o 25 de Abril só “evolução”. Evolução na continuidade era a conversa no tempo de Marcelo Caetano, último expoente do fascismo.
O 25 de Abril foi de facto uma Revolução, que impôs a dissolução da PIDE, acabou com a Censura e instaurou a Democracia. Produziu aumentos salariais enormes, conquistou o subsídio de férias e o 13º mês, construiu o Serviço Nacional de Saúde, universal e gratuito. Levou a Escola Pública e serviços essenciais a todos os cantos do continente e das regiões autónomas. Impôs a nacionalização de serviços essenciais, como a da produção e distribuição de energia eléctrica.
Aliás o povo português mostrou nas ruas saber, que democracia tem a ver com a vida, mais do que com palavras.
Democracia com serviços públicos de qualidade para todos – em oposição às ondas privatizadoras que vieram a seguir, para engordar banqueiros e gestores, alimentar off-shores obscuros, manter contas na Suíça, sustentar ordenadões e prémios chorudos aos rapazes do costume. Tudo com os recursos públicos que são de todos e encaminhando a economia para o desastre que hoje está à vista de todos.
Democracia com permanente atenção aos mais fracos, aos desempregados, aos trabalhadores precários sem salário certo, sem direitos e sem futuro; aos mais excluídos do desenvolvimento desigual.
Democracia com cidadãos informados, democracia com rigor, com visão de futuro e com transparência, preservando acima de tudo o interesse público em detrimento dos interesses privados.
Democracia à escala europeia para exigir uma refundação democrática, em que, também na Europa, seja o povo quem mais ordena – e não o mercado. Nos diplomas fundacionais na nova Europa terá de ser incorporado o que de mais avançado existe em cada país, consagrado numa Constituição democraticamente discutida e aprovada.
Bem sabemos que quem nos meteu na crise não nos fará sair dela. Mas, também aí, como em 25 de Abril, sabemos que a participação e a luta dos povos podem impor as necessárias rupturas políticas e encontrar os novos protagonistas que lhes darão rosto.
Aos historiadores cabe a tarefa de escrever a história do 25 de Abril e contar as suas estórias. Aos cidadãos e às cidadãs cabe defender as suas conquistas, aprofundar os seus ideais e mais importante do que parece, não deixar apagar a memória.
A todos e a todas nós cabe manter vivo o ideal democrático, no sentido mais nobre do termo e mais avançado das suas conquistas económicas, sociais, culturais e civilizacionais.
Aparentemente fora de moda é saudar os militares, que tiveram a clarividência de visionar um país mais livre e mais justo, livre da guerra colonial. E tiveram a coragem de pegar em armas por esse sonho.
Estou a escrever livremente, sem correr o risco que nenhuma censura me rasure nem a palavra nem o pensamento.
Porque há modas que nunca passam de moda, o meu sentido agradecimento.
Viva o 25 de Abril!

23 de Abril de 09
Vítor Cavalinhos
Coordenadora do BE Seixal

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