COMUNICAÇÃO SOCIAL
As eleições autárquicas de 2009 no concelho do Seixal
Ao iniciar esta minha crónica acerca dos resultados das últimas eleições autárquicas, quero deixar claro que esta é a minha análise, como independente que fui como candidato, e que como eleito mantenho.
No rescaldo destas eleições três factos merecem para mim uma maior abordagem: a eleição pela primeira vez de um vereador do BE; o reforço da maioria pela CDU, e a continuidade de uma elevada abstenção, que para um concelho como o do Seixal (situação que se mantém nas três últimas eleições autárquicas), é surpreendente (53,6%).
A eleição pelo BE de um vereador, e a de um eleito para a freguesia de Fernão Ferro, foram os dois dados positivos das eleições para as nossas candidaturas. Já o mesmo não se pode dizer dos outros resultados: redução de um deputado na assembleia municipal e a manutenção dos elementos eleitos em 2004, um por cada uma das seguintes quatro freguesias (Amora, Corroios, Arrentela e Paio Pires). Comparando as eleições legislativas com as autárquicas, (realizadas quinze dias depois) o BE perdeu 60% dos votos, comparando o resultado para a assembleia municipal com o da câmara, o BE perde quase 20% dos votos, ilações a tirar destes números: o BE continua a ser uma força com muito pouco trabalho autárquico, e daí este resultado; os eleitores continuam a ter a posição de que eleger deputados para a assembleia municipal ainda vai, eleger vereadores para a governação da câmara já não tanto.
Para alterar este estado de coisas tendo em vista as eleições de 2013, o BE tem de começar a trabalhar para tal a partir de ontem. A eleição de um vereador é importante para toda uma dinâmica que este trabalho requer, mas não é suficiente. É fundamental que este trabalho não se resuma às reuniões das assembleias municipal e de freguesias, ele tem que sair das salas e ir ao encontro das pessoas nas comunidades, auscultando as suas necessidades, os seus problemas e sendo seu porta voz nos órgãos onde tem eleitos, retornando depois às pessoas com os resultados lá obtidos. Não existe uma fórmula mágica que leve o BE a um crescimento como força autárquica. As escolhas eleitorais para o poder local são feitas (ainda e cada vez mais) a partir de relações de confiança e reconhecimento pouco politizadas.
A modéstia com que se assume estes resultados não é falsa: o BE é um partido que dá os primeiros passos perante um campo autárquico profundamente estruturado e estabilizado, onde os impactos da disputa nacional não se repercutem directamente.
O reforço da maioria da CDU (em número de votos) não deixa de ser uma surpresa após duas eleições contínuas (2001 e 2005) a perder votos, tendo mesmo estado nas últimas eleições autárquicas à beira de perder a maioria absoluta. Tal se deveu a meu ver a dois factores: um o tocar a rebate por parte da CDU, que levou à mobilização maciça de todos os seus elementos, bem como o fazer sentir a todo um conjunto de entidades e instituições o peso de trinta e quatro anos de maioria absoluta; o outro foi sem dúvida nenhuma a fragilidade de todas as forças opositoras, bem evidente nas dezenas de milhares de votos por elas perdidos em relação aos resultados das legislativas, enquanto no sentido contrário a CDU foi a única força a crescer em relação aos seus resultados nessas mesmas eleições.
O outro facto a referir é sem dúvida o elevado valor que a abstenção contínua a ter nas eleições autárquicas no concelho. Enquanto a média nacional ronda os 43%, no concelho o valor persiste nas três últimas eleições a rondar os 55%. Num concelho com uma população fortemente politizada, com um nível de educação e formação acima da média, que explicações tal resultado pode suscitar? Não vale a pena as forças de oposição continuarem a sustentar a teoria que é a força no poder que não está interessada em reduzir a abstenção, cabe-lhes a elas assumirem-se como verdadeiras forças de alternativa e conseguirem no mínimo manter os resultados que nas eleições a nível nacional conseguem obter. Para que tal aconteça o remédio não é a continuidade das queixas mas sim o trabalho contínuo e persistente junto das pessoas, pois 2013 é já depois de amanhã.
22 de Outubro de 2009
Luís Cordeiro
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