COMUNICAÇÃO SOCIAL

Democracia exemplar

No dia 27 de Setembro os cidadãos e as cidadãs elegerão um novo parlamento que terá a responsabilidade de escolher um novo governo para a República. Se nenhum terramoto político acontecer, e, é inverosímil que aconteça, o PS ou o PSD, um deles assumirá a responsabilidade de governar o país.
Em tempo de elaboração das listas de candidatos e candidatas a deputados e deputadas, interessa olhar para o comportamento dos diversos partidos nesta matéria e aquilatar do grau de democracia interna que utilizam para formar as respectivas candidaturas, porque é indubitavelmente um sinal que dão à sociedade da tolerância e do respeito que têm por pontos de vista e opiniões diversos. Que confiança pode transmitir à sociedade acerca das suas virtudes democráticas um partido que internamente afasta quem pensa de forma diferente do ou da líder? Hoje deter-me-ei sobre os partidos do centrão que se preparam para disputar o poder.
No PS, José Sócrates aproveitou o processo de elaboração das listas para correr com toda a oposição interna. Manuel Alegre insurgiu-se contra o facto de nenhum elemento próximo das suas opiniões fazer parte das listas. Nas suas palavras, as listas “estão gravemente mutiladas” na sua pluralidade democrática. É conveniente relembrar que os nomes agora corridos das listas por José Sócrates tiveram a ousadia de desafiar o líder e votar contra o Código do Trabalho, colocar-se ao lado dos professores, entre outros desaforos. A propalada convivência interna de pontos de vista diferentes não passa de conversa fiada. José Sócrates não quer deputados e deputadas livres, quer é clones de si próprio. Democracia exemplar, versão rosa.
No PSD, Manuela Ferreira Leite, faz exactamente o mesmo. Afasta os opositores e opositoras internos. Algumas distritais estão contra, mas a líder impõe a sua vontade.
Noticia a imprensa que a presidente laranja “ia virando do avesso as listas e as expectativas das estruturas. Com especial ênfase para as distritais que não seguiram a “directiva” de apresentar propostas para as listas sem ser por ordem alfabética.” Democracia exemplar, versão laranja.
Na mesma reunião, que atirou pela borda fora os opositores, foi aprovado o programa eleitoral que, na opinião de Nuno Morais Sarmento “ devia ser mais rico. Este podia ter sido apresentado pelo PS.” Assim mesmo é que se fala. O porta-voz do PS diz que o programa do PSD são só generalidades, não tem ideias nem propostas. O ex-ministro de Durão Barroso diz que é igual ao do PS.
Estamos perante dois partidos que cada vez são mais iguais, tanto nos tiques autoritários de cariz anti-democrático, como nas soluções que propõem para o país. Governados por um ou por outro, o país nunca sairá da crise pelo simples facto de que foram eles que nos meteram nela.
Os cidadãos e cidadãs têm que se libertar do espartilho que assume carácter de autêntica chantagem e que se traduz na ideia que só os partidos do centro têm soluções para o país e capacidade para governar. Há mais vida para além do centrão.
Desafio os leitores e leitoras a lerem o programa eleitoral do Bloco de Esquerda “O que quer o Bloco”. Procurem-no em esquerda.net.
È preciso ler e confrontar os programas e as soluções apresentadas pelos diversos partidos e depois escolher com cada voto. Cada um e cada uma decide por si.

6 de Agosto de 2009
Vítor Manuel Cavalinhos
Membro da Coordenadora do Seixal do BE
Membro da Assembleia Municipal do Seixal

« Anterior / 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 / Seguinte »